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domingo, 26 de março de 2017

Nós

Nós. Nós somos enrolados. Nós são enrolados... Eu sou um nó, nós somos dois nós... Silêncio. Silêncio. Cidade grande. Existe silêncio na cidade grande? Barulho, sirenes, buzinas, gritos! Mas um infinito silêncio entre nós... Eu sou muda, você é mudo... Entramos no metrô... Linha amarela? Linha verde? E continuamos nos olhando como dois desconhecidos. Por alguns minutos me esqueço que esse nós existe há mais de 6 anos. Quando foi que viramos um nó? Que nos tornamos um só que existe num grande vácuo?
O vácuo da cidade grande. O vácuo das pessoas correndo apressadas, do medo de ficar sozinhos, de desatar os nós. Esses que ao serem desatados criariam um rebuliço em nossas vidas e nós deixaríamos de existir... Vamos, vamos, o metrô chegou na estação.

domingo, 5 de março de 2017

Geleia no verão


Ela ficou na cama o dia inteiro, ouvindo a chuvinha de verão bater na sua janela, assistiu alguns filmes enrolada nas cobertas, depois leu algumas páginas do seu livro de cabeceira. Levantou e já passava das quatro da tarde, se olhou no espelho para praguejar sobre uma espinha no queixo. Estava radiante, todos diziam que aqueles meses a fizeram bem, seus cabelos estavam pretos, suas pernas longas estavam definidas e havia tomado sol de verão. O que ninguém sabia era que estava despedaçada por dentro. 
Pensou em vestir um shorts, desistiu, ficou só de calcinha e com uma camiseta que quase ia aos joelhos. Fez um coque no alto da cabeça, foi para o banheiro lavou o rosto, escovou os dentes e encarou de novo a espinha, mentalmente agradeceu por não ter que sair de casa e nem precisar passar corretivo (Padrões fúteis de beleza). Colocou os óculos de armação pretos, sua miopia beirava os 5 graus, se sentiu triste por não enxergar como todo mundo. 
Saiu andando descalça em passos lentos para a cozinha, fez pão na frigideira e chá mate. Tentou sem sucesso abrir o pote de geleia de framboesa, não conseguiu... Se sentiu fraca... Ficou com vontade de chorar, não tinha ninguém em casa para abrir para ela, estava sozinha... De repente teve uma súbita crise de riso, era tão idiota sentir vontade de chorar por não conseguir abrir um pote de geleia, ela se sentiu boba. Maldita TPM. 
Comeu em silêncio. Cansou do silêncio. Resolveu colocar música. Silva começou a tocar. "Eu sempre quis dizer" invadiu a cozinha. Ela gostava dessa música, lembrava do dia que um alguém tinha cantado para ela em seus ouvidos, foi em 2015, 4 dias depois do seu aniversário. Eles eram amigos e na época ela muito burra não entendeu nada (Lerda). Deu um sorriso pequeno e agradeceu por ele ter esperado pacientemente por um ano para que ela entendesse o que aquilo significava. 
Talvez se ela ligasse para ele agora, certamente ele poderia vir abrir o pote de geleia para ela, mas achou melhor aprender a abri-lo sozinha. Respirou fundo, comeu o pão torrado com manteiga mesmo e mandou uma mensagem por whatsapp dizendo: "Querer não é amar, mas é sempre um bom começo..." Ele pareceu chocado e respondeu: "Eu quis tanto ter você, quando você não me quis, e agora a gente é feliz e ponto". Ela acha que Silva virou trilha sonora oficial da história dos dois... Não sabe se ri ou se chora. Ela coloca a culpa na TPM e não no coração partido.  

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Recomeçar, oh palavrinha difícil.

Recomeçar, oh palavrinha difícil. Essa semana eu perdi uma pasta de fotos e não foi qualquer pasta foi a pasta de hospedagem de imagens do blog que ficava salva no google fotos/ google drive/ picasa. Até agora eu não sei bem o que aconteceu e desencanei de tentar entender. Só sei que foi impossível recuperá-las e que TODAS as fotos do blog desde 2012 SUMIRAM, inclusive os layouts antigos que ficavam salvos nessa pasta também. 
Com essa perca pensei em desistir do blog, a princípio achei que era o destino me mandando uma mensagem, porque esse ano comecei a estagiar na faculdade e já vinha há um tempo pensando em desativar o blog por causa disso, mas não tinha coragem (infelizmente minha profissão exige um certo distanciamento e privacidade). Não é atoa que andei fazendo algumas alterações no meu perfil por exemplo... 
Pois bem como podem ver eu não desisti, estou aqui. Quando percebi que tinha perdido todas as fotos de imediato não fiz nada, pensei em chorar, mas sabia que nada iria adiantar, respirei fundo e segui em frente, porém dois dias depois ao abrir o blog descobri que todas as fotos tinham desaparecido e fiquei paralisada ao ver ele todo branco. Foi aí que a ficha caiu, senti dor, desidratei de tanto chorar, me permiti fazer drama mesmo sabendo que não ia adiantar nada! Foram 5 anos de história apagados e quem me conhece sabe que sou uma pessoa extremamente apegada a lembranças. Resolvi desistir, mas depois ponderando essa decisão percebi o quanto esse espaço é/foi importante para mim, queira ou não ele é parte da minha vida e perder as fotos me fez perceber isso. 
Não vou parar, ainda não sei direito o que vou fazer, devagar estou tentando voltar as fotos no lugar (é um trabalho exaustivo procurar e colocar foto por foto) além disso quando chegar em meados de 2014 eu provavelmente não vou ter mais backups das imagens, estou me esforçando para resgatar o máximo possível.
Com esse episódio aprendi algumas lições, inclusive percebi uma coisa importante, não tem porque esconder parte de mim e tampouco desistir e excluir tudo isso por causa dos meus estágios, afinal essa sou eu, tenho meus medos, inseguranças, dúvidas e opiniões como qualquer outra pessoa (sou humana) e além disso nem sei ainda se vou seguir a psicologia como profissão, é bem provável que não, então acredito que deixar de escrever é me precipitar sem necessidade. 
Esse texto era mais um desabafo e tinha como objetivo sinalizar que o blog está cheio de imagens faltando e que se alguém entrar por aqui e vê-lo assim entenda o que aconteceu. Estou recomeçando, não está sendo fácil, mas estou tentando e até que está sendo legal. 
Acho que esse texto pode ser um pouco motivacional/ auto ajuda também, recomeçar é sempre difícil mas ao mesmo tempo muitas vezes é necessário. Doí perceber que tudo na nossa vida é volátil, que podemos perder tudo em um piscar de olhos e que não temos controle sobre nada. Porém saber perder é um grande aprendizado, pelo menos esse episódio de perda me fez me sentir na primeira série aprendendo a escrever de letra cursiva, a gente quebra a cara, mas quando vê tá escrevendo tudo de novo e bonitinho. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O desejo de viajar!


Fiquei pensando esses dias de onde surgiu o desejo de viajar, da onde surgiu essa vontade louca que me domina ultimamente de querer sair conhecendo o mundo... E aí refletindo sobre tudo isso comecei a pensar que devo alguns agradecimentos a pessoas que influenciaram direta e indiretamente o que chamo de "processo de descobrir o que é a arte de viajar". 
Confesso que essa vontade é recente, nunca fui uma adolescente que se interessou pelo assunto, lembro que não cogitei nem um minuto em escolher uma festa de quinze anos no lugar de uma viagem para disney. Todos os meus colegas de ensino médio viajavam para o Estados Unidos nas férias (eu não tinha aquela vontade imensa de hoje para conhecer outros países) e eu não fui em nenhuma excursão que minha escola organizava. Ainda não sei ao certo quando foi que uma luzinha na minha cabeça se iluminou e eu quis desbravar o mundo e hoje agradeço muito por ela ter se acendido. 
Acredito que foi um processo, uma vontade que se iniciou sabe-se lá porque e foi tomando força ao longo dos anos sem que sequer eu percebesse. As vezes fico pensando se sempre tive esse desejo, mas ele estava inconsciente, adormecido, escondido e a vida fez com que o mesmo viesse a tona atualmente ou se simplesmente as experiências e pessoas ao meu redor foram me influenciando e me levando para essa realidade. Seja como for, existiram pessoas que lapidaram esse meu desejo, como se lapida diamantes contribuindo para essa vontade só aumentar. 
Que eu tenho consciência, as duas primeiras pessoas que contribuíram com esse processo foram duas meninas da qual nem conheço que foram numa Semana da Psicologia da qual participei e falaram sobre a experiência delas em ir para África fazer trabalho voluntário, lembro que na época as achei loucas e pensei o que se passava na cabeça de um brasileiro que saia do seu país para ajudar outras pessoas, sendo que aqui no Brasil, na minha própria cidade, mas especificamente no meu bairro tinha uma monte de gente que precisava de ajuda. Mesmo que na época eu não dei a mínima para o que elas falavam, hoje as agradeço, porque quando surgiu a oportunidade de fazer um voluntariado em outro país me lembrei delas e das coisas legais que elas contaram naquele dia.
Outra pessoa importantíssima nessa história foi uma colega que estudou comigo no primeiro ano da faculdade, se chama Carol (nunca mais ouvi sobre ela, não tenho notícias suas e ela mal sabe o quanto foi importante para mim), Carol foi uma pessoa corajosa, ela abandonou o curso de Psicologia na USP em 2014 para fazer um mochilão pelo Brasil e hoje refletindo admiro muito sua atitude. Mas lembro que quando descobri que ela tinha trancado o curso por causa disso, a achei louca, irresponsável, não só eu tive essa reação como vários outros amigos, mas mesmo assim no fundinho lembro de querer ter sua coragem e mais que isso de querer ser louca como ela, dar o foda-se e deixar tudo para trás. A quarta pessoa importante foi minha amiga Amanda da faculdade também, um dia, no começo de 2015, estávamos conversando sobre o ato da Carol e ela disse que jamais se imaginava fazendo aquilo, que ela queria se formar, arrumar um emprego e deixar para viajar nas férias. Parece bobo mas naquela hora uma coisa bateu na minha mente e eu só tive a certeza que não queria ser como a Amanda, fiquei muito confusa porque nessa época eu também não queria ser como a Carol (afinal eu como já disse a achava louca), mas foi a partir dessa conversa que algo se despertou em mim, era como se talvez eu precisasse me descobrir ou se pelo menos a minha opinião sobre a atitude da Carol começasse a mudar.
E eu comecei a me descobrir mesmo, porque no final do semestre de 2015 me inscrevi para apresentar trabalhos científicos em dois congressos em cidades diferentes (acho que foi o jeito que encontrei para viajar). Agora lembrando eu nem sei porque quis ir nos congressos, mas a vontade de ir em um deles foi tão espontânea, não tive nenhuma motivação específica, minha professora orientadora estava na sala dela falando do congresso e eu ouvi, fiquei interessada, entrei no google e resolvi que queria ir, fui perguntar para minha professora se era aberto para qualquer um e ela disse que eu podia apresentar se quisesse, não pensei duas vezes. Importante ressaltar que meus pais foram e ainda são figuras importantes nesse processo, eles nunca viajaram muito, mas sempre me incentivaram a viajar, então acho que eles também entram nessa lista.
Mas voltando a falar das viagens que aconteceram por causa dos congressos, não tem como eu descrever o quanto elas foram importantes para dar aquele empurrãozinho que faltava para eu descobrir que queria muito mesmo viajar. Eu descobri que o Brasil era muito grande, que tinha muita coisa para eu ver e que não queria morrer sem conhecer. 
A sétima pessoa que conheci eu não lembro o nome, participou e palestrou num encontro de educação que eu ajudei a organizar. Fiquei encantada pelo cara, sua palestra foi sobre uma volta pelo mundo que tinha feito e as experiência profissionais que ele adquiriu, lembro dele mostrando as fotos da sua viagem que envolveu desde a Amazônia até a Índia. Eu tinha acabado de chegar de Pirenópolis, tinha acabado de andar de avião pela primeira vez, várias coisas borbulhavam na minha cabeça e poxa ouvir que ele tinha dado uma volta ao mundo e que tinha sido maneiro, já não foi tão assustador quanto ouvir que a Carol ia dar uma volta pelo Brasil, não sei se eu já estava mais acostumada com a ideia, se estava contagiada porque tinha voltado de uma viagem e entendia um pouco o que era a sensação de se entregar a lugares desconhecidos ou se simplesmente me permiti a aceitar aquele ladinho meu que admirava as pessoas que viajavam. Sei que por algum motivo aquela palestra foi um divisor de águas na minha vida, já não tinha preconceito com quem largava tudo para viajar.
A oitava pessoa que contribuiu muito para o processo realmente se expandir foi a Lari, minha amiga também da faculdade, ela estava na AIESEC, e estava numa área responsável por enviar intercambistas para outros países e naquela coisa de precisar cumprir metas, ela me convenceu a ir conhecer um projeto (a Lari era muito marketeira), hoje só tenho agradecer a ela, primeiro por ser marketeira, por me dar ferramentas para algo que eu vinha querendo, mas não sabia como realizar (que era viajar para outro país) e segundo por junto comigo procurar países, projetos, cidades, documentos e me ajudar a concretizar uma viagem do qual nem sabia direito que eu desejava e que realizei. 
A nona pessoa que eu conheci e faz parte dessa história foi um belga que encontrei num hostel do Chile (ele se chamava Nicolas e não sei porque não trocamos contato...). O achei muito parecido comigo em vários aspectos e fazia 7 meses que o menino estava viajando pelo mundo, então pensei se ele pode por que eu não posso também? Me peguei falando, caramba quero ser como o Nicolas. E o milagre aconteceu, porque essa foi a primeira vez que aconteceu o movimento de deixar de simplesmente achar legal aquelas pessoas que viajavam o mundo para querer ser uma dessas pessoas que viajam o mundo. Brinco que faltava aquela tal de identificação sabe? Quando encontrei alguém parecido comigo que fazia isso, percebi que eu podia fazer também, idiota né?
Acho que a décima e não menos importante pessoa foi um personagem chamado Chris de um filme... Alguém aí já assistiu Na Natureza Selvagem? (Fiquei numa bad monstruosa depois de assistir). Lógico que eu diferente dele, não sou tão radical e não conseguiria me imaginar indo para um lugar para ficar completamente sozinha, pessoas são importantes para mim, como podem ver com esse texto. Mas hoje eu consigo entender o que motivava ele a viajar, o que motiva milhares de pessoas a colocar a mochila nas costas e mais que isso, hoje entendo porque o meu eu do passado achava que as pessoas que viajam eram loucas, era porque simplesmente nunca tinha tido a experiência de viajar antes e não sabia o que viajar proporciona para nós meros humanos.
Encerro aqui... Só queria terminar dizendo que esse texto era simplesmente para agradecer as pessoas que fizeram parte desse processo, tem tantas outras que também me ajudaram, me apoiaram e estiveram comigo que eu não citei aqui, mas sou profundamente grata. Valeu pessoas! E agora vamos programar nossa próxima viagem por favor!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Aceito as flores?


Hoje eu ganhei uma flor... Queria te contar isso, por mais que as vezes me sinto um pouco louca em escrever para você... Eu gosto de flores, na verdade gosto de ganhar flores, mas você já sabia disso, lembra dos buques que me dava? Fico triste em pensar que ganhei várias suas e as únicas que te dei você não pode ver... Têm dias que penso em voltar no cemitério para te levar mais algumas, mas sou fraca e me odeio por não conseguir ir lá e ver seu túmulo frio... 
Mas voltando a falar do presente me deu uma vontade louca de te contar que ganhei um crisântemo vermelho, fiquei tão feliz em ganhá-lo e ao mesmo tempo pensei que se tivesse vivo eu poderia estar ganhando crisântemos seus e não de outro alguém. Acho que você ficaria muito feliz se soubesse quem me deu, na verdade já sabe né? Penso que a onde quer que esteja está nos apoiando e torcendo por nós... Choramos muito juntos nos primeiros meses sabe? Eu perdi um amor e ele um amigo... A dor não era igual, mas muito semelhante e têm momentos que sua sombra paira no ar e nos sentimos mal por estarmos tentando ficar juntos, ele me lembra você e com certeza eu também... Tem época que é tão difícil de lidar com o fato de você não estar mais aqui, a dor volta como se fosse uma faca afiada, me dilacera, me deixa com um buraco vazio e me pego chorando nos momentos mais inapropriados, final de ano é uma delas, novembro e dezembro foi assim, são os meses mais difíceis... Me sinto andando numa corda bamba na beira de um precipício, e tem dias que acho que vou despencar (Mas juro que estou melhorando, desde que eu comecei a fazer mil coisas, o final de ano ficou mais fácil)... 
Os nossos amigos fazem o possível para não me deixar sozinha nessa época do ano, eles não saem daqui de casa, mas desconfio que é tão difícil para eles quanto é para mim e mais que isso as pessoas sempre nos associaram, então por mais que eles não me contam acho que olham para mim e sentem sua falta, isso é uma droga, todos se fazem de forte, mas eu sei que é só na minha frente... Mas já faz tanto tempo e nossos amigos, minha família e até sua família me falam que você gostaria de me ver feliz e eu tenho certeza que é exatamente isso que deseja e é por isso que aceitei a flor, dei pulinhos de alegria ao vê-la e todo mundo está torcendo para que eu fique com o seu amigo (nosso amigo, que agora parece que é mais que amigo, isso é tão estranho). 
Me sinto muito culpada, e não é porque estou ficando com um dos seus amigos (Essa culpa já se foi, foram longos meses de superação e alguns anos de terapia no passado), mas porque eu ganhei uma flor dele e a verdade é que eu gostaria de ter ganhado de outra pessoa. E eu te odeio por me fazer passar por toda essa situação que parece nunca ter fim! Porque se você tivesse aqui, eu não teria que me apaixonar de novo e não ia ter que estar recebendo crisântemos de um e desejando que eles fossem me dado por outro, estaria recebendo de você e ponto final.  As coisas iriam ser tão mais fáceis e eu não estaria sofrendo duplamente, por você e por eles... Mas eu sei que não é sua culpa, me desculpa, a verdade é que sinto sua falta... Eu só queria te contar que voltei a receber flores e me permiti aceitá-las, acho que isso é um bom começo, o que acha? Só queria que você me ajudasse agora a me decidir se espero o outro cara me dar crisântemos (pode ser que ele nunca me dê) ou se simplesmente aceito os do seu amigo e dou uma chance para ele... 

sábado, 21 de janeiro de 2017

Viagens: Meu muito obrigada a Jericoacoara (Em fotos)


Em outubro eu fiquei quase 15 dias viajando... Mas Bianca e a faculdade? As viagens aconteceram por causa da faculdade, na verdade foi ela que deu aquele empurrãozinho sabe? Fui em dois congressos, um seguido do outro, na verdade foi uma dobradinha não pré meditada que acabou acontecendo... Um tempo atrás eu descobri que eu poderia utilizar congressos acadêmicos como pretexto para viajar (Se você faz faculdade e nunca foi em um congresso, não perca a oportunidade de ir, eles foram os que mais me ensinaram durante a graduação, além de ser o lugar que te possibilita conhecer os caras fodas especialistas que você costuma ler e estudar na faculdade durante as aulas)... Deixando o pretexto de lado, fiquei uma semana no Rio de Janeiro, no interior (Numa cidadezinha fim de mundo chamada Seropédica que tem a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), além disso passei 3 dias no Rio de Janeiro (Minha primeira vez por lá) e do Rio fui direto para Fortaleza, em Fortaleza também fiquei uma semana e de lá fiz minhas malas (Meu mochilão na verdade) e aproveitei que estava no nordeste (Minha primeira vez também) para conhecer Canoa Quebrada e Jericoacoara. Conhecer Jericoacoara era um sonho, eu tinha certeza que iria para lá de qualquer jeito, com meus amigos ou não. Por que estou contando tudo isso? Porque Jericoacoara foi muito especial. Meus amigos voltaram de Fortaleza para Ribeirão Preto e eu fiquei em Jericoacoara sozinha. E sabe aquele friozinho na barriga? Pois bem, eu fiquei meses em dúvida se eu adiantava minhas passagens para voltar com os meus amigos ou se eu encarava e ia sozinha mesmo e realizava um sonho... Por fim fui sozinha mesmo e meu Deus foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida (Não que eu queria ir sozinha, se meus amigos tivessem comigo eu teria ficado tão feliz quanto) o fato é que não deixei de fazer algo que eu queria muito por falta de companhia e me orgulho muito por ter conseguido.


Jeri foi o primeiro lugar que fui só eu e minha mochila, não tinha ninguém para poder contar, não tinha empresa de viagem e não tinha ninguém me esperando. Era eu por mim mesma, engraçado isso porque quando fui para a Argentina era eu por mim mesma também, não conhecia ninguém e nem sabia onde ia ficar, mas sabe quando as coisas eram diferentes? Tinha alguém me esperando lá mesmo que eu não conhecia, eu tinha um objetivo que era trabalhar em uma ONG e sabia que ia conhecer outros intercambistas que estariam na mesma que eu... Jeri não tinha nada disso! As situações eram diferentes e não consigo me decidir qual que senti mais medo e insegurança... O fato é que se eu não tivesse ido para Argentina certamente não teria coragem de ter ficado em Jeri completamente sozinha, acho que uma experiência levou a outra, ou melhor a Argentina me possibilitou amadurecer o suficiente para conseguir tomar a decisão de ficar sozinha em Jeri.


E sério Jeri é mágica, aquela vila é maravilhosa e tem uma certa magia e energia que é inexplicável, talvez tenha a ver com minha vibe no momento, mas desconfio que todo mundo que estava por lá estava sintonizado na mesma estação que eu. Por mais que tenha ido sozinha não me senti assim em momento nenhum, fiz várias amizades, conheci gente super alto astral, tive conversas filosóficas, treinei meu inglês e me senti rodeada de pessoas good vibes.



Percebi que tem muita mulher que viaja sozinha sim e que quando se encontram elas se unem. Fiquei num hostel muito legal e me senti tão aliviada quando entrei no quarto e vi que iria dividi-lo com 5 meninas com histórias de vida parecidas com a minha e ao mesmo tempo completamente diferentes. Foi instantâneo nos abraçamos como irmãs e não nos desgrudamos mais... Quem via achava que nos conhecíamos de longa data. E foi tão mágico! Nunca vou esquecer do pôr do sol que vimos todas juntas, das risadas, dos crepes franceses que comemos, da Jeri noturna, dos gringos que fizemos amizades, dos banhos de mar e de poder ser quem eu quisesse ser...



Voltei de lá renovada e com a certeza que sou mais forte do que imagino, que posso fazer coisas que dizem que eu não posso e descobri que muitas vezes somos nós mesmos que nos limitamos por medo, insegurança e por não acreditarmos que somos capazes. Por pouco eu não fiz minha mala e voltei com meus amigos, por pouco eu não conheci a Jeri noturna, quase que a insegurança e o medo me venceram e foi tão bom poder me libertar dos dois e dar uma chance para mim mesma...
  


Obrigada Jeri, por me mostrar que posso mochilar e mais que isso por ter feito uma pequena revolução dentro do meu ser! Já quero voltar para você <3

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Tapioca Cupida

São duas e quarenta e cinco da manhã, a madrugada impregna a casa com um silêncio impotente, estão todos dormindo, exceto nós dois. Consigo ouvir nossas respirações nas pausas constantes das conversas, por mais que estejamos em uma distância segura. Estrategicamente esperei ele sentar num dos sofás da sala e só depois sentei no sofá oposto, ele só deu um suspiro e não comentou absolutamente nada. O celular toca. Escuto Cadu falar com sua mãe, é a segunda vez que ela liga, acho fofo a sua preocupação, ele afasta o celular do ouvido e sussurra para mim entre dentes "Ela não está acreditando que estou aqui", sussurro de volta que a mãe dele tem seus motivos para não acreditar. Vou até o sofá que está sentado, sento no braço do móvel e peço para passar o celular para mim. Cadu faz uma cara engraçada, e vejo no seu rosto um misto de incompreensão, confusão e insegurança. Eu entendo o que está sentindo, porque nem eu sei que bicho me mordeu para fazer isso... Depois de trocar algumas palavras com a mãe dele, não consigo me decidir quem ficou mais feliz, se foi ela ou Cadu que me agradece com um sorriso que deixa aparente todas as suas covinhas. Na hora que desligo e vejo o sorriso percebo o grande erro que cometi, acho que dei esperanças e foi em dose dupla, para ele e para sua mãe. 
Me pergunto mentalmente o porque está aqui ainda e que horas pretende ir embora, não que eu queira que ele vá, mas diferente de mim Cadu não só estuda como trabalha, não está de férias e amanhã é ainda quarta feira. "Clara você quer que eu vá embora?", dou um pulo do braço do sofá, ainda não me acostumei com essa capacidade dele de saber o que estou pensando, olho atentamente para o seu rosto e respondo "Você quer ir?" e antes que pudesse me responder seu estômago ronca... "Você está com fome", ele nega, "Está sim, para de mentir para mim", Cadu demora para responder, eu sei que está morto de fome, mas não vai dar o braço a torcer, então levanto apressada do sofá, "Acho que vou fazer uma tapioca para mim, quer uma?" e quando vejo já estou na cozinha.
Enquanto pego os ingredientes, falamos coisas bobas, estamos rindo e eu nem sei porquê. As vezes nas últimas semanas fico tentando me lembrar quando foi que nos aproximamos tanto e que nossa relação ficou tão leve, tão boa. Acho que sempre fomos assim e eu nunca percebi, afinal são anos de amizade. 
Paro em frente ao fogão e de repente sinto que tudo começou a ficar muito quente, abaixo a chama do fogo numa tentativa de diminuir o calor, mas aí me dou conta do porque a cozinha ficou tão apertada e abafada de uma hora para outra, a explicação não é o fogão, mas Cadu que aproveitou meu descuido para se aproximar mais do que eu permitiria se estivesse prestando atenção. Se aproximou tanto que quando me dei conta senti uma mão puxando meus cabelos para livrar meu ouvido e em seguida uma boca sussurrando nele: "Achei que você soubesse cozinhar", eu um pouco desconcertada, tentando mentir falei "Eu sei", ele estava se divertindo, eu podia sentir, mesmo de costa sabia que estava com aquele sorriso malicioso no rosto, "Não é o que parece, Clara" e colocou uma das mãos na frigideira numa tentativa de me chamar a atenção para a panela, e foi nessa hora que me dei conta que estava presa entre ele e o fogão o que me fez sentir mais calor ainda e que minha tapioca estava toda destruída e quebrada em mil pedacinhos, derrotada me virei e praguejei "Caralho Cadu, você me desconcentrou", ele  franziu a sobrancelha com olhar inquisidor e proferiu "Me vinguei, afinal você faz isso comigo todos os momentos que estamos juntos", tenho certeza que fiquei vermelha e que ele viu, de um tempo para cá Cadu fazia isso sempre, flertava toda hora de propósito e mesmo assim não havia me acostumado com as cantadas.
Quando vi, ele tinha assumido o comando do fogão e estava fazendo as tapiocas. Duas para ele, uma para mim, a dele com queijo duplo, e a minha sem queijo por causa da minha intolerância a lactose. Comemos em silêncio. Eu sabia que ele estava pensando em algo. Ele sabia que eu estava pensando em nós. Porque ele sempre sabia o que eu estava pensando e eu não. "Você deve estar pensando o quanto eu sou um idiota né?" Pela primeira vez errou, não tava pensando sobre o fato dele ser idiota, a verdade era que depois de meses estava cogitando dar uma chance para nós. Cogitei isso por vários motivos, estava cansada de estar sozinha, quem eu queria não necessariamente iria me querer, com Cadu as coisas eram leves, engraçadas e felizes, ele era meu amigo e por último e não menos importante naquele momento simplesmente desejei estar comendo tapiocas com ele de madrugada numa cozinha apertada muitas outras vezes. 
"Clara, por que você está me olhando assim?", "Acho que talvez eu mude de ideia a respeito de eu e você", "Aí meu Deus, se eu soubesse que para você era tão importante que eu soubesse cozinhar teria vindo fazer tapiocas meses antes...", nós dois rimos e eu tive a certeza que deveria tentar, por mim, por ele, por nós e talvez também pelas suas tapiocas que eram maravilhosamente deliciosas.   

domingo, 27 de novembro de 2016

O eu te amo de João e Maria


O gritou ecoou. Eu te amo, porra. Ela só escutou o porra... Ele vinha contando todas as suas tentativas de falar eu te amo, ao todo já tinham sido 25. 25 fracassos, 25 vezes que o coração dele batia tão forte que parecia que iria explodir, 25 vezes que quase foi, mas não foi. Ele se chama João. Ela se chama Maria. Eles são amigos. E você conhece essa história melhor do que ninguém. É a típica história de dois amigos que se apaixonam. O medo das coisas se misturarem, de estragar a amizade, de ser o trouxa que ama sozinho. Ao mesmo tempo o sentimento de sofrer, sofrer por não querer se afastar mas ao mesmo tempo em precisar se afastar porque doí muito estar toda hora junto. 
Maria tinha a besta mania de se apaixonar por amigos, era aquela coisa idiota de ser só amigos e quando ela percebe está sofrendo horrores, ela só não quer isso de novo para sua vida... Talvez ela tenha escutado o eu te amo de João, mas preferiu fingir que só tinha ouvido o porra... O grito continua ecoando...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Turbilhão em bolhas de sabão...


Minha cabeça está um turbilhão (me pergunto porque vou escrever tudo isso aqui. Se eu estivesse escrevendo em um diário certamente esse seria um dos textos desabafos de lá, mas faz 8 meses que parei de escrever  e agora por força do hábito resolvi escrever aqui o que escreveria lá, não sei se é uma boa ideia, primeiro porque provavelmente eu não vou publicar e a segunda é porque tenho a sensação que ao escrever no diário estaria guardado para todo sempre e aqui não, o virtual é tão mutável e tão mais fácil de se perder, só eu tenho essa sensação? As vezes tenho vontade de ler conversas que tive por MSN e não tenho mais o histórico, daí penso que se eu trocasse cartas não teria esse problema, ou teria porque provavelmente só teria as cartas recebidas e não as escritas... devaneios,.. te pediria desculpas por eles, mas esse texto é só para mim mesmo, então não vou pedir...) 
Sobre o turbilhão, não sei o que aconteceu, mas um tsunami passou por aqui durante um dia(zinho) comum, que tinha tudo para ser um dia como qualquer outro e não foi... E desde aquele dia as coisas se transformaram em uma grande catástrofe... Está tudo quebrado dentro de mim, devastado, machucado e agora é como se eu tivesse decretado estado de emergência e precisasse levantar, limpar os entulhos e me reconstruir. (Porque é tão difícil escolher? Tomar um decisão e não outra é sempre um grande problema na minha vida... Eu nunca gostei de perder oportunidades, eu quero agarrar o mundo e talvez seja por isso que é tão complicado para mim ter que optar por uma coisa ou outra... Devaneios de novo)
Nesse nevoeiro de segredos revelados, histórias nunca antes ditas, situações que eu não sei lidar, a angustia me pegou de uma tal maneira e eu percebi que preciso me reinventar, fico pensando como uma história de outra pessoa totalmente alheia a gente pode repercutir tanto em nossa vida? As histórias de pacientes, amigos, família, todas elas se misturaram numa só semana e eu me vi nessas histórias de uma forma tão absurda que entrei num estado de calamidade, acho que agora entendo porque dizem que psicólogos tem que fazer terapia, lidar com os problemas dos outros não é nada fácil, eles te consomem, você se identifica, sofre e muitas vezes o problema do outro afeta a sua vida de uma forma que você não tem o menor controle, pelo menos é o que está acontecendo comigo nesses últimos dias... Um segredo de alguém, me fez descobrir um segredo de outro alguém importante para mim, esse segredo de outro alguém repercutiu na minha vida de uma tal maneira que agora muitos pontos fazem sentido, porém eu não estou sabendo digeri-los... Paralelo a isso o destino me fez assistir um filme super problemático que me deixou mais estabilizada ainda, juntando tudo isso tive um insght da minha própria vida fazendo supervisão de um caso clínico de uma paciente e juntando tudo isso tenho duas decisões importantes para tomar, preciso decidir quais estágios vou querer fazer ano que vem e preciso tomar vergonha na cara e dar uma resposta para outra pessoa que devo uma satisfação... Isso seria muito pouco se junto ainda não tivesse uma infinidade de problemas para serem resolvidos no projeto social do qual eu participo (que resolveu dar tudo errado nessas duas últimas semanas) ou se eu não estivesse em fim de semestre com mil trabalhos para entregar,incluindo a defesa da minha monografia e um trabalho assustador sobre abuso e violência doméstica em uma criança (que me faz chorar todas as vezes que penso nele)...
A resposta é meio obvia, em meio a essa maré de problemas, acaba que só resolvo os problemas dos outros e os meus ficam estagnados,  eu mal tenho tempo para parar, respirar e decidir o que fazer, fico sempre em segundo plano e enquanto estou estagnada aqui, os sentimentos estão virando grande bolhas, bolhas que poderiam ser leves como bolhas de sabão, mas essas não são, elas são de chumbo, ou melhor são ácidas, me corroem de pouquinho em pouquinho, me machucam, me causam dor, me assustam, me amedrontam... Mas acho que elas são importantes para me fazer crescer, me fortalecer... 
Depois de ler o que escrevi até aqui, cheguei a uma única conclusão: Resolvi desacelerar, respirar fundo e manter a fé nessa vida e nessa Bianca que está se constituindo em meio ao caos, porque parece que não mas depois de toda tempestade vem a calmaria não vem? Sempre soube que escrever é terapêutico, me sinto bem melhor agora... 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Não existe amor em SP


Eu passei uma semana em São Paulo, já tinha ido para lá, mas nunca para conhecer a cidade realmente, sempre tive uma ideia romantizada da grande metrópole, a cidade cultural, cheia de possibilidades e histórias, recheada de pessoas e lugares. Mas não foi essa cidade que conheci, São Paulo me causou um conjunto de sentimentos contraditórios que beiraram da angustia ao desespero. Não quero negar que existe um lugar bonito, cheio de manifestações culturais geniais, que existem pessoas que se amam e oportunidades únicas, não quero que ninguém me massacre e me julgue por eu dizer que não gostei de SP, enxerguei o belo que existe lá, mas ele não foi suficiente para mim. Mesmo sabendo de todas as coisas boas, as coisas ruins não me permitiram deixar de lado, as sensações obscuras que tive nesses 7 dias. As pessoas correndo como robozinhos no metro, se empurrando, olhando para os pés, aquela não troca de olhar, homens e mulheres se movimentando no automático, quase sempre com pressa. Os mendigos na rua, a pobreza disparada, deixada ali a olho nu e cru para qualquer um ver e no meio disso as ilhas perdidas (bairros e ruas exclusivas) que afastam essa pobreza, a contradição, a desigualdade que tenta soar de forma invisível. As pessoas se acostumaram com crianças pedindo dinheiro, com a correria da vida, com andar mecanicamente pelos mesmos lugares, em aguentar trafego constante ou aturar 2 horas no transporte público para trabalhar ou para voltar a noite cansado para casa. Todos meus amigos me disseram que era falta de costume, que eu precisava de um tempo de adaptação, mas isso era o que não queria, fiquei com medo de realmente me acostumar com tudo aquilo  que eu acho triste e errado, fiquei aborrecida em perceber que certamente se eu passasse ali mais tempo eu iria normalizar tudo aquilo que pareceu assustador aos meus olhos. Nunca na minha vida uma música fez tanto sentido, até essa semana não tinha levado a sério o Criolo com sua música " Não existe amor em SP", mas na minha cabeça ela é a maior definição de São Paulo, é um retrato fiel do que eu senti ao pisar lá, foi a trilha sonora dessa minha experiência.
Saí de São Paulo satisfeita, não por causa de toda a pobreza que vislumbrei, nem por causa de toda a cultura que adquiri, mas sim pela a viagem de autoconhecimento que a experiência me proporcionou, descobri algumas coisas que eu não sabia sobre mim mesma. Não tenho perfil para morar numa metrópole, sou mais sensível do que imagino e agora sei mais sobre mim, sobre meus roteiros de viagem e tudo isso me possibilitou também uma viagem interior, que me mostrou sentimentos, sensações e vontades antes não exploradas. 
SP valeu apena, na cidade pode não existir amor, mas em todos os dias que fiquei lá existiu amor dos meus amigos. Fiquei com pessoas incríveis, visitei lugares únicos e matei a saudade de amigas especiais que fizeram do meu intercâmbio no começo do ano, um grande sonho.  
Ficou uma única dúvida: Será Criolo que "não precisa sofrer para saber o que é melhor para você"?

sábado, 20 de agosto de 2016

Um insight sobre relacionamentos


Hoje eu tive um insight tão grande que ainda estou com dor no coração de pensar nele. Antes de hoje acreditava que insights seriam sempre bons, porém nem sempre são, o exemplo disso é a história que vou contar.
Quem me conhece sabe que um dos meus maiores sonhos é ser mãe, ter uma família feliz e por mais que deseje muito isso sou aquela pessoa bem de boa, que está vivendo a vida sozinha e que quer abraçar o mundo inteiro nos próximos anos. Tenho uma série de planos do qual envolve mudar de cidade, fazer um mestrado em outro lugar, viajar o mundo, morar por um tempo em outro país, talvez fazer outra faculdade, conhecer diferentes pessoas e por aí vai. E enquanto estou pensando/planejando/querendo tudo isso, a maior parte dos meus amigos começaram a namorar, estão fazendo planos para casar, pensando no emprego que vão ter, muitas vezes pelo resto de suas vidas. E tento a todo momento não me sentir deslocada, mas as vezes é inevitável e acabo me sentindo. Uma das coisas que mais me incomodava nos últimos anos era estar sozinha, engraçado pensar nisso agora, demorei um bom tempo para conseguir assumir isso para mim, talvez eu quisesse estar com alguém porque todas as minhas amigas estavam, porque cresci ouvindo contos de fadas, minha família sempre teve relacionamentos perfeitos para me inspirar ou mesmo porque sempre tive o desejo de casar e ter filhos. De um tempo para cá essa vontade passou, acho que as vezes ela continua dentro de mim, mas outras coisas passaram a ser mais importantes e acredito que ela deixou de ser a prioritária. Sempre disse que estava bem e feliz sozinha, muitas vezes foi da boca para fora, mas desde o final do ano passado digo isso de verdade, nunca fui tão sincera na minha vida. 
Mas voltando ao insight, ele aconteceu hoje, mas o que lhe desencadeou foi uma série de acontecimentos dessa semana. O primeiro foi um amigo que me surpreendeu perguntando se não podíamos ser mais que amigos, fiquei chocada/surpreendida e até agora tenho vontade de rir/chorar. O segundo foi uma amiga me falando uma coisa que nunca ninguém tinha falado para mim e que me fez me enxergar de outra forma. Eu e ela estávamos escrevendo sobre o futuro amoroso dos nossos amigos (tipo uma aposta, sobre o caminho que cada um seguiria), daí no final eu fiquei de falar sobre o que pensava sobre ela e a mesma ficou de escrever sobre meu futuro. Eis que ela me diz que me imagina me estabilizando profissionalmente primeiro, tendo minha casa, dinheiro, viagens e títulos (obrigada por incentivar minha carreira acadêmica) e só depois pensando em namorar/conhecer alguém para constituir uma família ("Bia te acho tão independente, que não consigo te imaginar com alguém tão cedo, porque parece que não, mas quando estamos com alguém temos que abdicar de algumas coisas e não consigo te imaginar assim"). Caramba fez todo sentindo do mundo na minha cabeça e eu nunca tinha refletido sobre isso. No primeiro momento isso parece ótimo né? Mas várias coisas estão passando na minha cabeça depois disso. Primeiro que eu podia dar uma chance para o meu amigo, mas não consigo por n motivos, um deles é justamente minhas prioridades agora serem outras, segundo minha amiga me mostrou uma lado meu que nem eu conhecia, mas parece bem verdadeiro.
Sempre quis estar com alguém, mas como vou estar com alguém querendo mudar de cidade, viajando o mundo sem internet, conhecendo novas pessoas, me apaixonando e desapaixonando por desconhecidos? Eu nunca tinha pensando antes que meus planos são egoístas, não egoístas no sentido negativo, mas por estar sozinha tracei planos que não englobavam mais ninguém além de mim e agora não quero me abdicar deles ou englobar outra pessoa, é como se não houvesse espaço, ou mais que isso é como se eu não quisesse fornecer esse espaço. No momento eu posso tomar minhas decisões sem pensar em mais ninguém, mas se tivesse uma pessoa nessa história, eu  não poderia. E o insight foi esse, caramba eu tenho dois desejos incongruentes, eu tenho vontade de estar com alguém, mas tem muitas coisas que eu quero fazer e que esse alguém não terá lugar. Eu nunca tinha pensado nisso, até o presente momento.
Eu sei que dá sim para estar com alguém que possa te acompanhar em todas as viagens/escolhas/aventuras que a vida te dá, a única questão é que talvez minhas aventuras/viagens/escolhas não foram pensadas para serem dividas com alguém e assim se eu tiver que dividir, um dos dois vai sair perdendo. A maior questão é que no presente momento não quero repartir minha independência e se não quero isso, não tem porque eu querer estar com alguém, antes de me resolver comigo mesma. Daí veio o insight para eu fechar a questão. Não tenho mais desejos incongruentes, porque um passou por cima do outro. Só quero ser feliz, e sei que consigo isso sozinha ou acompanhada, mas no momento minha felicidade é alcançar meus planos e para isso provavelmente estarei sozinha, deve ser porque tenho uma necessidade louca de provar para mim que sou mais forte do que acho e que consigo fazer as coisas sozinha. Preciso provar para mim mesma antes de tudo que sou dona de mim. (Assim minha amiga provavelmente vai acertar na sua profecia).

P.S.: Duas coisas importantes, publicar esse texto foi muito difícil, primeiro porque eu dificilmente falo sobre meus relacionamentos principalmente para pessoas que não são muito muito próximas de mim. A outra coisa importante é que eu adoro essa foto, tirei na praça do Por do Sol em São Paulo e enquanto estava vendo esse cenário pensei que eu poderia ser qualquer uma das duas mulheres da foto, mas que no momento eu preferia ser eu mesmo hahaha 

sábado, 16 de julho de 2016

Adeus Marcos...


Parecia sonho, mas foi realidade. Estou cansada de ler e ouvir das pessoas frases clichês como" O gigante acordou", "O dia que entrarei para os livros de história" e outras coisas do tipo. A questão não é se vangloriar por estar saindo para as ruas, a questão na verdade é muito mais ampla, é ir protestar não por 20 centavos, mas por seus direitos.
Ribeirão Preto, 20 de junho de 2013, foi o dia que participei de uma manifestação realmente grande. Ao chegar no ponto de encontro (Esplanada do Teatro Dom Pedro II) me deparei com uma multidão diversificada, mas que aparentemente tinha o mesmo objetivo: Cansados de ficar parados em suas casas estavam, nas ruas. Senti um clima de copa do mundo, mas pela primeira vez debatia-se um assunto sério. Pessoas que eu nem conhecia me ofereceram tinta para pintar o rosto, aceitei. Cheguei de rosto limpo e saí metaforicamente mais brasileira, com riscos verdes e amarelos na bochecha. No meio do caminho um menino cansou de segurar o cartaz que carregava e eu carreguei para ele, da mesma forma quando cansei passei para outra pessoa que também mal conhecia.
Fiquei juntamente com uma galera na comissão de frente(que foi um privilégio e um desprivilegio ao mesmo tempo), fomos aqueles juntamente com centenas de pessoas os primeiros a passar os comandos para uma multidão que passava de 25 mil pessoas. Nunca tinha visto o poder que um aglomerado de pessoas pode causar, os gritos cantados juntos, várias reivindicações, a pacificidade. Foram mais de 2 horas e meia de caminhada totalmente pacífica, bonita e organizada. Estava imaginando o quanto aquilo estava sendo uma experiência única para todos que estavam ali. Porém foi logo após todos cantarem o hino Nacional que a tragédia aconteceu. Um cruel (não tenho palavras para descrever) com um carro típico burguês, sem explicação nenhuma invadiu propositalmente a passeata e atropelou 4 jovens, jovens como eu. A cena horrível que prefiro não me lembrar... Podia ter matado várias pessoas, eu por exemplo, que estava tão perto, perto o suficiente para ver tudo). Uma passeata pacífica levou um jovem de 18 anos para um lugar melhor. Um lugar que não precisamos lutar por injustiças, que não se convive com pessoas loucas e cruéis. 
Ele descansa em paz, enquanto eu, as milhares de pessoas lá presentes, os familiares e amigos dele choramos aqui e lamentamos por esse desastre. E o que começou como um sonho terminou em milhares de pesadelos que invadem noites mal dormidas. O sangue no chão, o desespero, a correria das pessoas, o som do resgate, o medo ao pensar na dor da sua mãe, a revolta sentida pela vontade de querer justiça, os gritos de desespero, os soluços dos amigos que estavam tão perto. A percepção de que não devíamos estar protestando para conseguir coisas que segundo a constituição é dever do Estado nos oferecer. 
Adeus Marcos... Sinto tanto... Não sei o que dizer...

*Esse texto foi escrito alguns dias depois de uma manifestação em junho de 2013, eu tinha 16 anos na época e desde daquele dia sofro com as lembranças daquele dia infernal (sempre guardei esse texto simples com muito carinho, mas nunca quis mostrar para ninguém). Essa semana 3 anos depois, aconteceu um atentado na França em que um caminhão desgovernado invadiu a rua e matou dezenas de pessoas. A única coisa que eu conseguia pensar é que por algum tempo eu já havia sentido aquela sensação de desespero que os franceses e estrangeiros devem estar sentindo (e essa sensação foi uma das piores da minha vida). 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Eu fui no João Rock: Até que enfim!


João Rock. Multidão. Eu tenho medo de multidão. Medo não seria a palavra mais apropriada, talvez fobia se enquadrasse melhor. Enfrentei o medo. Comprei meu ingresso meses antes. Quase desisti de ir por conta do final de semestre com os milhares trabalhos que tinha que entregar. Mas fui. Fui com medo de me sentir mal por causa da aglomeração das pessoas, sabendo que ficaria madrugadas inteiras estudando para recuperar o final de semana perdido. E não é que rolou? Foi um dos melhores shows da minha vida. Me diverti muito mesmo! Cantei, gritei, dei risada, pulei, aproveitei, curti e passei frio! Mas valeu cada segundo e já quero ir de novo! Cada show me marcou de uma forma, cada música me retomou uma lembrança, foi um festival que me possibilitou rever os fantasmas, colocar ponto final em algumas histórias, seguir em frente. Como um conjunto de shows conseguiram fazer tudo isso? Músicas fazem milagres com a gente, pelo menos é o que eu acredito.
Entrei no festival e o sol se punha, as cores rosas e laranja se misturavam ao som de Nação Zumbi, as pistas de skate, as filas imensas para comprar comidas e o sorriso no rosto na maioria das pessoas que eu vi... A primeira lembrança ressurgiu das cinzas vendo um cara comendo uma maça que estava de calça jeans e blusa xadrez, lembrei de um primeiro amor, por um carinha mais velho que se vestia assim, me dava moral e chegava atrasado comendo maçã nas reuniões que a gente se encontrava. Achei toda essa situação engraçada, comecei a rir sozinha e resolvi comer a maçã que eu também tinha levado na bolsa ao som de Paralamas.
Paralamas tocando, eu rindo, e o mais legal foi poder cantar "óculos" junto com eles! Poxa nem achava que ia gostar tanto desse show. Depois a tentativa de ir mais para perto do palco, me sentir quase esmagada tentando enfrentar a multidão, e arrumar um lugar horrível grudada na grade e perto de um fluxo de pessoas que queriam passar para o outro lado, foi a única hora que me senti agoniada, mas estava quase morrendo quando um cara muito legal que podia me esmagar igual todas as pessoas, trocou um olhar comigo que durou milésimos de segundos e me entendeu tão bem que acabou fechando a passagem que faziam as pessoas chegar até onde eu estava, fiquei muito feliz e agradecida. Carinha gato que foi gentil, meu muito obrigada para você.
Depois começou o show do Nando Reis, foi frustante, triste. Era o que eu mais queria ver, o que eu sabia que iria me emocionar, o mais importante. E foi muito chato, o Nando me decepcionou, ele foi seco, quase rude. Aquela música que tanto me assustava,  que ia me fazer chorar, lembrar do passado e desejar não estar ali, tocou. All star soou nos meus ouvidos e algo incrível aconteceu, não me senti mal como sempre me sinto, me permite cantar como se tivesse tirando um peso (na verdade uma história) das minhas costas, foi muito libertador!
E para fechar uma etapa e começar outra nada melhor do que terminar Nando Reis e começar Natiruts. E caramba Natiruts na minha opinião foi o melhor show que eu assisti, e assisti-los foi muito simbólico, porque saí da minha fase Nando Reis, melodramática, sofrível, para uma fase que estou vivendo agora, aquela sou mais eu, paz e amor, liberdade para dentro da cabeça que não poderia ser mais bem representada pelo show dos Natiruts! Cantei muito, ri, pulei, gritei e me senti feliz como a muito tempo não me sentia. E como eu disse no começo, os fantasmas retornaram, mas fantasmas nem sempre são ruins. Lembrei da minha viagem para o Chile, de uma balada furreca que fui com amigos e da gente cantando loucamente "Sorri, sou rei" no meio de um monte de chilenos bêbados. Me deu saudade, mas me deixou feliz!
E veio Legião Urbana, lembrei do meu irmão, queria muito que ele estivesse comigo (porque ele é fanático como eu), fiquei pensando na geração coca-cola, em como o tempo passa, as músicas mudam, mas as gerações continuam com os mesmos problemas... Saí político, entra político e a gente se pergunta ainda que país é esse? Não imaginava que veria um show do Legião e foi tão legal poder vê-los (pena que não pude ver, enquanto o Renato era vivo) que não tenho palavras para descrever.
E aí rolou tantos outros shows, lembranças, histórias que palavras não seriam suficientes! João Rock foi incrível e só me deu a certeza que a música move não só eu como uma multidão, e isso é indescritível. 

Tenho que agradecer uma pessoinha (que está na foto) que me convenceu a ir e que comprou meu convite antecipadamente! Miga Japa valeu! Obrigada por me convencer e por ser a amiga que tem tantos gostos parecidos que escolheu os mesmos shows que eu. E falando sobre a foto ela está horrível, sem qualidade (foto de celular), mas representa um pouquinho da minha felicidade e foi por isso que postei!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Uma carta para nunca ser enviada


Ribeirão Preto, 18 de maio de 2016

Oi,

Sabe eu sempre escrevi muitos bilhetes e cartas que eu queria ter enviado e não enviei, a grande verdade é que sou uma pessoa medrosa que pensa muito e fala pouco, que sente muito, mas demonstra pouco, que ama muito e quase nunca pronuncia"eu te amo". Teve dois bilhetes que eu escrevi e deveria ter entregue, mas não fiz. E hoje me arrependo... Dois bilhetes para duas pessoas que eu amei muito. Um deles eu cheguei a quase entregar, e esse era para ter sido para você... Eu lembro certinho do papelzinho na minha mão e dos seus olhos me olhando, mas eu amassei discretamente antes que pudesse ver e coloquei no bolsa da calça. E três anos depois aqui estou eu escrevendo uma carta para você. E essa não é a primeira, eu tenho uma no meu diário, mas nunca tive coragem de te entregar, faltou coragem, faltou oportunidade. A segunda grande verdade é que escrevi tendo a certeza que nunca ia te entregar. Minha vida virou de ponta cabeça e hoje fico pensando o quanto seria engraçado ter te entregue tanto o bilhete quanto a carta. As vezes as coisas seriam diferentes hoje, provável que me entendesse melhor se soubesse dos meus sentimentos... Mas tudo bem, ficou no passado, um passado que eu acredito que foi bem resolvido. 
Todos meus amigos me falam que eu deveria dizer o que eu sinto para as pessoas que eu gosto, mas eu tenho uma besta mania de dizer isso só quando eu não gosto mais, com você foi assim... Na verdade não foi, porque diferente de tantas outras histórias mesmo depois de ter te superado, não tive a oportunidade de te dizer o quanto foi importante para mim, talvez essa carta seja para isso e acho que essa foi a primeira vez que assumi isso para mim mesma. Você foi importante para mim.  Me fez superar um par de all star, sorrir, entrar em parafuso, sentir ciúmes, chorar menos, lidar melhor com a perda, preencheu um vazio que estava lá me matando. Aprendi não prestar atenção nas aulas chatas, a sustentar um olhar e fingir que estudava matemática na biblioteca só para não precisar olhar para seus olhos. 
E engraçado que por mais que eu ache que você me deixou, dessa vez foi ao contrário, eu não te perdi, você que me perdeu. Cumpriu com nossa promessa silenciosa, diferente do outro não me abandonou, foi eu...Eu que fui embora, não me despedi, escolhi não fazer nada, não lutei, escolhi te esquecer... Talvez porque me senti culpada, eu não tinha superado minhas perdas e meus fantasmas, senti medo de você me deixar também, preferi te deixar primeiro, acho que não suportaria perder outra pessoa. Ou foi simplesmente porque como você pensava, eu deveria viver a faculdade e você o cursinho. Lembro do seu argumento de que não poderia me acompanhar, não queria me privar... Caraaamba como foi bobo, eu preferia mil vezes que ficássemos juntos do que frequentar mil festas de faculdade (das quais nunca frequentei), mas poxa, conseguiu me convencer e eu não quis te provar do contrário. Escolhi não argumentar, e essa escolha as vezes me persegue, porque queria ter te falado o quanto era importante para mim, que sofri em te deixar, eu queria ter argumentado. Queria saber se sofreu como eu, nunca soube, nunca permiti depois que falassem de você para mim.
Mas a vida passa e as palavras passam junto! E eu não falei o que precisava, você não falou o que precisava e nossas vidas seguiram para lugares diferentes, para pessoas diferentes, para universos distantes. E eu só queria te ver de novo, e eu só queria parar de te ver em outras pessoas, eu só queria conseguir te entregar essa carta que nunca vai ser entregue, ou um bilhete escrito "você foi importante para mim". A terceira grande verdade é que sinto saudade do que poderia ter sido, mas não foi. 
E eu nunca vou te enviar essa carta, assim como não enviei nem o bilhete nem a outra carta e sabe por que? Porque tenho medo do que poderia achar de tudo isso, de ter esquecido de mim e mais que isso tenho medo de a frase "você foi importante para mim" virar "você é importante para mim".
Seja feliz! Eu sempre quis e continuo querendo que seja, talvez esse que é o sentido dessa carta, dizer que eu me importo com você, me importo sim e torço para que esteja bem! Ainda mais agora que começou uma nova fase da sua vida, ainda mais agora que não tem um cursinho te impedindo de viver o que quiser, liberdade sempre foi uma coisa importante para mim e sei por algum motivo que para você também, afinal será um eterno sagitariano... Tenho certeza que nossas vidas seguiram rumos opostos e que somos felizes a nossas maneiras, a grande quarta verdade é que quero te encontrar no futuro e sorrir e a única mentira é que um dia vou te entregar essa carta e todas as outras que um dia escrevi para você. Porque não vou, e todo mundo que me conhece sabe o porque, afinal sou a pessoa mais orgulhosa desse mundo e desconfio que você também. 

Com amor, eu.

* Essa carta faz parte do "Desafio 12 cartas para 12 meses" que estou participando, um convite da linda da Paulinha do blog Utopia Concreta, no qual explica o projeto nesse post aqui. Essa é a terceira carta que escrevo e consiste em escrever uma carta para nunca ser enviada.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Frio na barriga


Frio na barriga era o que ela sentia. Frio na barriga pode significar muitas coisas. Ansiedade. Medo. Insegurança. Desafio. Paixão. Nervosismo. Desejo. Ela sentia tudo ao mesmo tempo. E fazia tempo que não sentia isso... E a menina nem queria sentir, na verdade ela nem podia. Na verdade podia, mas a última vez tinha dado tudo tão errado que dessa vez estremecia só de pensar que poderia dar errado de novo. Ela queria que as coisas fossem mais fáceis, queria que eles não fossem amigos, queria que ele fosse menos indeciso, queria que os dois tivessem solteiros, queria poder não se lembrar que isso não era a primeira vez que acontecia. Queria não se lembrar do quanto sofreu na primeira vez, do quanto foi doloroso, do quanto se arrependeu. Mas ao mesmo tempo ela queria se esquecer da promessa que fez que nunca mais iria cometer o mesmo deslize. O seu maior desejo era nunca mais se apaixonar por um amigo novamente. Seu maior desejo era nunca mais precisar escolher as palavras para falar com esse alguém. Seu maior desejo era não precisar evitar contato físico, era não precisar negar seus sentimentos. Mas o que mais queria era que as coisas não terminassem como terminaram da primeira vez... Dois corações despedaçados, uma amizade interrompida e um segredo, que eles achavam que era segredo mas que na verdade todo mundo sabia menos os dois. 
A pergunta que a torturava todos os dias era: Será que as duas histórias estão fadadas a terminar de formas parecidas? Ela não sabe se o final será o mesmo, e quer simplesmente se proteger, mas já tem a certeza que o restante está sendo igual, porque está apaixonada por um amigo, precisa escolher as palavras, tenta evitar contato físico mesmo não conseguindo e nega seus sentimentos até para si. O que ela esqueceu é que sou sua primeira e melhor amiga e que ela pode enganar a todos e a ela mesma, mas não a mim.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Apê n° 2. 4° andar.


Ela sempre foi bagunçada, e quando se diz bagunçada é muito bagunçada, suas ideias não funcionavam na organização, precisava espalhar mil papéis na escrivaninha, deixar jogados os seus sapatos pela casa, espalhar os livros de medicina no chão do quarto, e os produtos de beleza no banheiro, deixar o travesseiro e o cobertor no sofá da sala. Quem visse sua casa pela primeira vez lhe chamaria de desorganizada, mas ao olhar por outras lentes chegava a ser bonita sua bagunça, tinha um certo charme, uma autenticidade, uma coisa que poucos lares tinha, porque simplesmente ela tinha o poder de dominar todos os espaços, todos os cômodos e deixar sua marca por lá. Sua casa era alegre, era única, olhando para os cômodos vazios, simplesmente era possível imaginar quem aquela mulher era e mais que isso podia-se ter uma breve ideia da sua personalidade, dos seus gostos, dos seus receios. 
Ela beirava os 30 anos, madrugava no hospital fazendo plantões, solteira convicta chamava as amigas para beber no final de semana, dançava até o chão nas baladas, fechava os bares que frequentava, contagiava o mundo com seus sorrisos e seu olhar carismático. As vezes se irritava com as amigas, afinal agora quase todas estavam casadas e não conseguiam parar de falar de bebês, roupinhas tamanho baby, fraldas descartáveis e amamentação. Não estava nessa vibe, nunca esteve e acreditava que nunca estaria, se contentava em ser madrinha dos vários bebes que suas colegas tinham e não via a hora deles pararem de chorar e crescerem logo para ela poder ensiná-los a fazer arte. 
Era viciada em cigarros e mate, colecionava cinceiros de diferentes países que ficavam espalhados pelos cantos mais inusitados da casa, falando de países, ela era uma mulher viajada, gostava de acampar, colocar a mochila nas costas, de ir para o meio das montanhas e fazer um mate amargo e bem quente para tomar durante todo o dia. Cortou os cabelos tipo joãozinho e agora não os penteavam mais antes de sair de casa. Usava lentes de contato, seus 12 graus de miopia não era para qualquer um, tirava as lentes sem saber onde estava seus óculos e sempre era obrigada colocar as lentes de novo para encontrá-los. Vivia sozinha num apartamento de 3 quartos e seu passatempo preferido era dormir cada dia em um quarto da casa. Deixava seus jalecos brancos pendurados nos batentes das portas dos quartos, tinha várias réguas de tomadas espalhadas pelos cômodos, porém só tinha uma panela dentro do armário da cozinha e sempre deixava comida estragar na geladeira. Pessoas comuns achariam que ela era louca, mas nesse mundo ninguém é normal e a mulher era o símbolo de liberdade e autenticidade... No lugar do sentimento de estranhamento quem a conhecia só queria ser como ela, livre, alegre, divertida, inteligente, alto astral, determinada. 
Se eu não fosse eu, seria com certeza ela...

*essa foto não pertence a mim caso você seja o dono ou conheça a fonte me avise para eu dar os devidos créditos.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Carta de agradecimento


Ribeirão preto, 21 de março de 2016

Cara cidade de Mendoza,

Pensei muito sobre o que escrever nessa carta, na verdade muitas coisas me passaram pela cabeça, desde a dúvida de escrever ou não, até a incerteza sobre você ser o destinatário certo. 45 dias foram pouco para te conhecer devidamente, mas o suficiente para te amar de uma forma inexplicável. A cidade dos contrates, o deserto mais arborizado que conheci, as praças mais bonitas, os bares mais cools, os vinhedos mais bem cuidados, os vinhos espalhados por todos os lugares, o mate dulce, as empanadas e o dulce de leche! E não podia esquecer das montanhas. Sinto falta da praça Independência, das ruas Passeo Sarmiento, San Martin, e das livrarias na San Juan. Sinto falta de ficar no parque central de madrugada e da cesta depois do almoço. E não é porque sinto falta de tudo isso que estou aqui te escrevendo. 
Essa carta é antes de tudo um pedido de agradecimento. Agradecimento por ter morado aí, e não só por isso, mas também um agradecimento por tudo que eu passei nesses dias. Agradecer por poder viver nesse lugar lindo, agradecer por todas as pessoas incríveis que conheci,  pelas experiências que vivenciei, desde as ruins até as maravilhosas. As ruins eu agradeço porque essas me tornaram uma pessoa mais forte, me serviu para mostrar que em qualquer lugar do mundo tem pessoas boas e ruins e mais que isso me mostrou que para cada pessoa ruim, existem o dobro de pessoas boas.
Com certeza Mendoza, você foi mais cenário de histórias felizes do que de histórias tristes e te agradeço por todas as risadas, por todos os pães na hora do almoço, pelas festas, taças de vinho, montanhas, kioscos, alfajores e por todos os mendocinos incríveis que conheci. Aquele povo sério, seco, frio, das montanhas que devagar se deixa conquistar e que lá no fundinho tem um coração gigantesco, meu muito obrigada! 
Também tenho que te agradecer por a oportunidade de ter me mostrado que trabalho voluntário não importa o lugar é sempre muito gratificante, você me mostrou que crianças são puras em todos os lugares, desde do Brasil até na Argentina. Me presenteou com os melhores meninos, me fez grata por poder ver uma criança sorrir ao me cumprimentar, me ensinou que com tão pouco podemos fazer alguém mais feliz, que para fazer o bem não importa idioma, nacionalidade, idade. 
Muito obrigada por ter me tornado uma pessoa melhor, por me dar liberdade, por me fazer me sentir mais dona de mim, por me proteger, por me mostrar que sou mais forte do que imagino, por ter colocado no meu caminho pessoas incríveis, por ter me mostrado o verdadeiro significado das pequenas coisas, por ter me dado vários amigos que são grandes presentes, por ter me ensinado espanhol, por ter me dado oportunidade de viver experiências que jamais vivenciaria se estivesse no Brasil. 
Já sinto saudades, e queria muito te presentear de alguma maneira, mas a única coisa que eu consigo fazer é dizer: Tchau Mendoza, tchau Argentina, e dar meu singelo muito obrigada por tudo!
Grata por me receber, Bianca

* Essa carta faz parte do "Desafio 12 cartas para 12 meses" que estou participando, um convite da linda da Paulinha do blog Utopia Concreta, no qual explica o projeto nesse post aqui. Essa é a segunda carta e consiste em escrever uma carta de agradecimento.

quarta-feira, 23 de março de 2016

O paradoxo do aeroporto


É madrugada, a casa está silenciosa, estou na frente do computador lendo os milhares de textos acumulados que a faculdade cobra de mim... Olho para o chão do meu quarto, vejo minha mala jogada, faz uma semana que voltei de viagem e preciso urgentemente desfazê-la. Mas toda vez que olho para ela, lembro do nosso encontro. O destino é cheio de me pregar peças, sempre sou surpreendida pela vida, mas jamais esperava ter sido surpreendida como fui dessa vez.
Sou suspeita para falar de aeroportos, sempre tive uma ideia romantizada dos mesmos... Toda vez que estou neles observo diversas situações, das boas às ruins... Gosto desse lugar paradoxal, que posso ao mesmo tempo ver despedidas, olhares cansados, tristeza de dizer adeus, mas também felicidade, chegadas, reencontros. Talvez seja por isso que o destino escolheu esse lugar para eu te encontrar.
Há três anos te vi pela última vez e tinha certeza que jamais nossos caminhos se cruzariam... Foi aquele adeus doloroso, que o só o tempo curou. Lembro do seu olhar, do meu olhar, das nossas mãos se soltando, das lágrimas escorrendo, da vontade de te ter perto de mim... Depois lembro da saudade, da vontade imensa de te ver de novo, de te procurar, da ilusão de ficarmos juntos. 
O tempo passou, consegui passar dias sem pensar em você, depois meses, depois semestres... Ficaram só as lembranças, as memórias e o vazio... Vazio que o tempo, a vida e outras pessoas quase que preencheram por completo.
Minha vida seguiu, eu cresci, nunca mais tive notícias de você... Comecei a viajar com uma frequência absurda para todos os lugares que planejamos um dia viajar juntos, mas sozinha... Foi na volta de uma dessas viagens, que tive que fazer uma conexão de mais de 3 horas em Guarulhos. E foi em Guarulhos que você teve que fazer uma conexão de 2 horas e meia. 
É óbvio, que estávamos no mesmo lugar ao mesmo tempo, o que não era óbvio era que eu ia ter um encontro quase poético. Nunca nos meus sonhos, planos ou mesmo pensamentos, te encontraria novamente em um aeroporto.
E foi ali, cenário das despedidas e dos reencontros, que primeiro nos reencontramos para depois nos despedirmos de novo. E eu vivi o paradoxo do aeroporto, senti tudo ao mesmo tempo, a felicidade do nosso reencontro e a dor da despedida muito comum nas sessões de embarque. 
E agora, aqui em casa, de volta a vida normal depois de me despedir novamente de você, tenho mais um buraco vazio, precisando ser preenchido, pelo menos dessa vez trocamos telefones e eu sei que você não está mais do outro lado do mundo.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O verdadeiro ponto final


É difícil, torturante, triste. Ter uma história de nós dois para contar... É horrível ter uma música nossa que insiste em tocar em todas as rádios que escuto, é humilhante saber que tínhamos uma sorveteria preferida e que quando vou lá o carinha do balcão pergunta de nós dois.
Abrir a gaveta e me deparar com milhares de blusas que fizeram parte de uma fotografia nossa importante, falando em fotos, elas me aterrorizam pois não tenho coragem de jogá-las fora.
Dói parar no mercado e me deparar com a prateleira das suas bolachas preferidas ou mesmo não usar lápis de olho branco porque te dava aflição.
Quantas coisas me passam pela cabeça ao olhar para coisas insignificantes que nunca imaginaria que fariam me lembrar de você...
Meu livro preferido com sua dedicatória escrita de letra de forma com uma caneta vermelha... Minha corrente de coração, seus abrigos de frio que você vivia me emprestando no inverno e eu sempre esquecia de devolver. O macarrão ao molho branco que minha mãe só fazia quando você vinha para jantar.
Tudo isso e mais um pouco me faz lembrar de nós! Mas o que mais me entristece foi o jeito que terminamos... Não deu tempo de te pedir desculpas, por mais que imaginava que nós não estávamos brigados.
Foi o fim que hoje não tem como reatarmos, foi um namoro que não tinha discussões e hoje eu não posso tentar te ligar implorando para voltarmos, muito menos posso mexer nas suas redes sociais para te espionar e saber o que anda fazendo. E diferente de todos que querem jogar fora as lembranças para esquecer da pessoa amada e fingir que não a conheceu, eu queria poder te ver. Porque diferente deles, nós não tivemos escolhas de terminar, simplesmente você foi para um lugar melhor, o céu, sem decidir se queria ir, e me deixou aqui, olhando para algo frio e deixando flores que insisto em dizer com lágrimas nos olhos que não tem cheiro de flores de enterro. E me dói não saber o que posso fazer com nossas lembranças que cada dia menos me causam pesadelo, porque o meu maior medo deixou de ser te perder e sim de te esquecer.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Desafio 12 cartas para 12 meses- Carta 1

Ribeirão Preto, 19 de janeiro de 2016

Querida Bianca,

Sempre achei brega usar a expressão "Querida fulana" em cartas, mas a gente cresce e nossa criatividade é deixada de lado, então não me julgue por causa dessa expressão enfadonha, um dia me entenderá... Você deve estar se perguntando o porque dessa carta e quem está te enviando. Não tenha um ataque cardíaco com o que vou te contar, o remetente, é você mesma, no caso eu... Isso é muito confuso eu sei, mas sabe aquele seu sonho bobo de querer ir para o futuro?  Não se realizou completamente, mas eu que estou no futuro resolvi te escrever, então dizemos que realizamos juntas o desejo de viajar no tempo, mas no meu caso foi para viajar para o passado e você de receber uma carta do futuro.
Vamos parar com essa babaquice de explicar o inexplicável e vamos ao que interessa, vim aqui para te dizer umas palavrinhas e dar uns bons conselhos, que pode acreditar você deveria seguir a risca. 
Eu sei que está morrendo de medo dessa nova fase que está para começar, colegial, escola nova, amigos e todas essas coisas, não se preocupe e não perca seu tempo com inseguranças. Seja você mesma, não queira agradar ninguém, tenha menos vergonha, e não leve tão a sério aquele povo da sua nova escola. Lá fará grandes amigos e o resto ignore, as pessoas daquele lugar diferente de você são na grande parte do tempo superficiais e nunca vão ter a sensibilidade e experiência de vida que você tem, sinta-se privilégiada e não a estranha.  Falando em amizades, vou te dar um conselho que descobri recentemente, seja menos desapegada, não viva em função dos seus amigos, mas em função de si mesma, mais que isso curta os amigos do presente e não sofra de saudade dos antigos, porque senão você acabará não aproveitando suas amizades atuais e nem as antigas (seus amigos antigos, fizeram novos amigos também, não se esqueça disso). Então a primeira lição dessa carta é viva o presente e não lamente o passado, deixa ele quieto lá e só relembre de vez em nunca para matar a saudade. Segunda lição, mas não menos importante seja menos insegura, tenha confiança em suas decisões (pode ter certeza, no final tudo dá certo) se arrisque mais e se permita errar. 
Agora vamos para as coisas práticas dessa vida! Eu sei que você não gosta de lista, eu também continuo não gostando, mas ando aprendendo que elas são práticas, você deveria tentar usá-las também:
- Não dê ouvidos ao seu pai quando ele fala para estudar mais do que já estuda, ele não sabe o quanto você é a lunática por estudar e te garanto o tempo que está estudando é mais do que o suficiente. E toda sua dedicação no terceiro colegial vai ser recompensada (estude firme, como nos seus planos). Não sinta-se preguiçosa por não estudar no final de semana e nem burra por não conseguir fazer aqueles exercícios de física e de matemática, te garanto eles não vão servir para nada na sua vida (pelo menos não me fez nenhuma falta até agora) e pode ter certeza que eles não vão te tornar mais inteligente).
-Leia, leia muito, leia tudo que quer ler e mais um pouco, os anos vão passar e você não terá mais tempo para ler, toda sua vida vai ser consumada por artigos científicos intermináveis e livros acadêmicos e te garanto quando chegar as férias sua ressaca literária vai ser das bravas.
-Não pare seu inglês, estude línguas, leve a sério os exercícios e as aulas, vai se arrepender amargamente e sofrer pakas para recuperar o tempo perdido.
-Não tenha medo de falar com as pessoas, você é mais simpática do que parece e mais sociável do que pensa. Converse e não se preocupe em arrumar assunto.
-Não perca tempo com uma pessoa aí, você vai conhecer achar que é o amor da sua vida, mas pelo amooor, fujaaa!!! Eu ia te aconselhar a não fugir quando se trata do coração, mas esse conselho é contraditório, porque você sempre foge de quem não precisa e se apega aos que deveria fugir. Sim, você vai brigar comigo e dizer que não é verdade, mas me escute, eu sou mais velha do que você e sei que é verdade.
-Leia mais sobre sua profissão, vá assistir umas aulas em faculdades antes de começar o curso. Não deixe de se abrir para novas oportunidades, não duvide de você e mais que isso ignore os outros. Ninguém vai estudar por você, ninguém vai trabalhar por você, ninguém vai viver por você.
-Faça o que tem vontade de fazer, para não se arrepender depois. 
-Não reclame do seu quarto, você vai voltar a amá-lo muito em breve.
-Seja menos preocupada com as provas, com as aulas, com a escola. Falte para viajar, não fique na noia, mate aula uma vez na vida, saia mais vezes no lugar de ficar estudando loucamente. Esqueça que as provas são importantes, ria mais na biblioteca, vá assistir uns filmes no cine da escola, faça as atividades extraescolares como o espanhol (você vai precisar dele, mais do que imagina), vai viajar para conhecer os museus de São Paulo (antes que não dê tempo, o museu de Língua Portuguesa vai pegar fogo, acredite), vai conhecer as cidades históricas com seus professores (você iria ficar encantada, porque anos mais tarde você ficou). 
-Continue guardando cada centavo que ganha, isso vai fazer uma grande diferença no futuro. 
-Continue fazendo as coisas por amor, ajudando os outros, acreditando em seus projetos e nos projetos dos outros, pode ter certeza que você vai ser reconhecida e quando menos esperar.
-Acredite nessas ideias que estão na sua cabeça, pode acreditar a maioria delas vão sair do papel e mais do que isso você vai ter apoio de pessoas muito especiais na maior parte delas.
-Sim lute para ir para faculdade, ela é sim o que você sempre sonhou. No começo vai quebrar a cara, ficar frustada, se sentir uma enganada, mas depois vai ter uma certeza que nunca teve antes de estar no seu lugar. Lá fará melhores amigos, viverá as melhores experiências e terá as melhores oportunidades. Aproveite, não diga não para o novo!

Por fim não duvide de você, pode ter certeza que esses anos vão ser mais que bem vividos!
Acho que é isso, daqui uns anos nos vemos novamente, seja mais otimista, menos racional e mais impulsiva! Sempre que achar que está sendo certinha demais, se permita ser certinha de menos! Algumas loucuras são bem vindas, gostaria que você descobrisse isso, e não deixasse para descobrir só quando tiver beirando os 20 (nosso caso no momento). 

                                                                                              Beijinhos da Bianca cinco anos mais velha

P.S.: Se cuida! Mudanças são necessárias, mas continuamos ainda bem parecidas, a índole não mudou nada e acredito que mesmo você seguindo esses conselhos aí, não vai mudar radicalmente sua vida não, pode ficar tranquila!



* Essa carta faz parte do "Desafio 12 cartas para 12 meses" que estou participando, um convite da linda da Paulinha do blog Utopia Concreta, no qual explica o projeto nesse post aqui. Essa é a primeira carta e consiste em escrever uma carta para você no passado, há 10 anos, porém modifiquei um pouco e escrevi a carta para mim no passado a 5 anos atrás. Essa modificação se deu porque há 10 anos eu só tinha 9 anos e achei que ia ficar muito próximo do tempo da minha infância que é uma outra carta do desafio.